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terça-feira, 13 de junho de 2017

Ética na política: regra, e não exceção

 Sérgio Turra*



Conduta que deveria ser tomada como padrão, a ética tornou-se bandeira política. Virou programa de governo. Uma meta a ser alcançada. Um fim em si mesmo. Esse é o resultado de um amplo histórico de episódios de improbidade e corrupção. Um passado de erros que tornou rara a honestidade no cotidiano da coisa pública.
O Brasil é especialista em criar leis; mas em colocá-las em prática, um fracasso. Temos uma legislação aberta às mais variadas interpretações e contradições. Some-se a isso a lentidão e a burocracia excessiva. Esse contexto escancara as portas da impunidade – espaço por onde os transgressores não têm o menor receio de passar e repassar.
Chegamos a um ponto crítico: todo aquele que se apresenta como político, mesmo que tenha acabado de entrar nessa esfera de atuação, já não é bem visto. A priori, mesmo que nada comprometa sua biografia. É fácil de compreender: em muitos casos, quem exerce um mandato o transforma em mero balcão de negócios. Ali, trata as demandas públicas, mas sempre sobrepondo seus interesses particulares e corporativos.
É claro, exemplos de boa política ainda existem – e eu conheci de perto, com meu pai, Francisco Turra. No entanto, uma árvore que cai faz muito mais barulho do que uma floresta inteira que cresce. E, assim, a percepção negativa sobre a totalidade dos políticos se cristaliza, colocando maus e bons no mesmo compartimento.
Isso se tornou ainda mais visível com as manifestações que tomaram o país neste ano. Houve protestos pela ética, pela manutenção do poder investigatório do Ministério Público, pela punição dos mensaleiros, pela ficha limpa de quem representa a população. Tamanho é o enfado e o descontentamento com o sistema político que, durante as passeatas, diversos militantes que portavam bandeiras de seus partidos foram expulsos da multidão. O recado é – e continua sendo – claro: os brasileiros não se sentem representados por quem detém o poder. Isso é gravíssimo!
A indignação dos brasileiros com o panorama da política é saudável, pois nos desperta da zona de conforto. Mas esse sentimento, de forma alguma, deve colocar em risco o que conquistamos até aqui. Gerações se sucederam para que a redemocratização saísse dos sonhos e se tornasse uma realidade. Por isso, também não podemos fechar os olhos para os avanços que ocorreram. Tampouco é prudente buscar outra via que não a da democracia representativa. Isso porque a história nos prova, em diversos países, que se trata da melhor forma de garantir os direitos e o bem-estar da população.
O momento atual pede reformas – e não destruição. Pede união de forças e de pessoas do bem – e não acirramento das rivalidades. Pede o reforço das instituições – e não seu abandono. Quando a política deixa de ter empatia popular e passa a ser rejeitada, é sinal de que o descrédito se tornou generalizado. E a solução desse problema passa obrigatoriamente pela retomada da ética.


* Advogado
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