segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Como Dilma Rousseff está enganando o país: a fraude dos "Movimentos Sociais" EDITADA



O cenário político brasileiro está envolto em gravíssimas manipulações da população
 e da opinião pública, distorções da realidade e atitudes totalitárias e antidemocráticas.
 Tentarei, dentro de minhas limitações, esclarecer, neste artigo, alguns pontos a respeito.

Em um pronunciamento esperado por toda a 

população - em contexto de eclosão de manifestações populares -, de modo que chegou a atingir recordes de audiência, Dilma Rousseff - entre outras promessas e mentiras - anunciou que receberia "movimentos sociais" para dialogar e ouvir reclames e propostas. 

Após afirmar que, como "presidenta",
 tinha a obrigação de ouvir todas as propostas e dialogar 
com todos os segmentos e que "as pautas dos manifestantes 
se tornaram prioridade nacional" e que "a voz das ruas precisa ser respeitada", afirmou: "Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas,
 os representantes das organizações de jovens, (...) 
das associações populares".
 "Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências,
 de sua energia e criatividade, de sua aposta
 no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente".

Perceba o canto inferior direito. Tamanha é a explicitude que um dos "movimentos" seletos é a "Juventude do PT" Imagem: Reprodução/Internet
Ainda que pessoas mais céticas desconfiassem de tal declaração - com razão -,
 muitos viram isto como o anúncio de diálogo, cooperação e união no país, 
uma representação de que o Governo 
ouve a população e concede espaço para que os mais diversos 
setores participem da construção do país. Infelizmente, 
esta interpretação, se já não era obviamente ingênua, 
veio a se mostrar totalmente equivocada.

Jovens da "UNE" demonstram a sua "luta política"
 amontoando-se ao tentarem aparecer em foto com Lula. Imagem: Reprodução/Internet
O "movimento responsável por manifestações pacíficas"
 MST demonstra seu caráter crítico em relação ao Governo.
Imagem: Reprodução/Internet
Dilma Rousseff recebeu, dias depois, "25 entidades da população", 
sendo destaques: CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União Nacional dos Estudantes)
 e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais 
Sem Terra), GLBT (Gays, Lésbicas,  Bissexuais, 
Travestis e Transexuais), entre outros congêneres.

Em um visível gesto de "desvio de assunto" 
e fraude, Dilma não apenas tentou enganar boa parte da população 
que detém menor acesso a meios de comunicação independente,
 como as redes sociais e a internet, fazendo parecer 
que os movimentos que representam a população predominante
 nos protestos a apoiaram,
 como também usou de suas marionetes
 para obter apoio para o seu temível "plebiscito". Explico:

PT e CUT: aliados históricos inegáveis.

Bandeiras do PT e do MST unidas não são nada incomuns.
Imagem: Reprodução/Internet
a) Tais movimentos são tradicionais aliados do PT 
e de sua base aliada. Não participaram de parcela significativa dos protestos, 
não os organizaram, não representam parcela minimamente relevante
 dos cidadãos que saíram às ruas.

A CUT, como não seria preciso notar, é um irmão siamês do PT
 e nada teve a ver com as manifestações, assim como a UNE, 
aliada histórica - e também berço histórico - de corruptos e do PT,
 entidade que recebe dinheiro
 estatal - leia-se dinheiro do cidadão brasileiro -
 para neutralizar jovens e simular "lutas políticas", 
nserindo-os em contexto de politicagem e partidarismo.
 O mesmo se aplica, com equivalente ou ainda maior intensidade, ao MST.
UBES, PT e Juventude do PT:
 sempre de mãos dadas. Imagem: Reprodução/Internet

Lula e Haddad discursam sobre a bandeira da UNE.
Imagem: Reprodução/Internet

b) Ainda que os temas GLBT sejam muito difundidos
 entre a sociedade, inclusive com participantes, nos recentes protestos,
 contrários à "Cura Gay", entre outras razões,
 tal proposta surgiu em meio às manifestações devido
 ao andamento da mesma, não participando da eclosão
e não representando, de modo razoável, as demandas nelas perpetradas. 
Há, inclusive, a razoável tese de que tal aprovação 
seria apenas mais um meio de, coligado à mídia,
 o Governo desviar a atenção e dividir a população 
(assim como na primeira repercussão relativa a Marcos Feliciano 
e a sua indicação ao cargo após
 onda de protestos contra Renan Calheiros). Não estou a dizer que estes temas
 não são relevantes, vale ressaltar. 
No entanto, associá-los às mainfestações,
 sobretudo em destaque, é risível.
Representante da UNE demonstra o caráter crítico e contra a corrupção
presente na entidade  dando amigáveis tapas nas costas
de Sarney, em meio a sorrisos para fotos. Imagem: Reprodução/Internet
Representantes da UJS posam, orgulhosos, ao lado de Dilma.

c) Como é visível a qualquer 
cidadão que participou e tem participado das manifestações 
iniciadas em junho, as pautas prioritárias foram combate à corrupção, 
investimentos em saúde e educação, 
luta pela conservação dos cofres públicos, 
mediante a preservação de recursos 
para a efetiva aplicação em serviços que atendam à população, 
moralização da política - incluindo conteúdos
 como PEC 37, crime hediondo, fim do foro privilegiado,
 PEC 18, ampliação da CGU, remoção de corruptos condenados de seus cargos,
 PEC 33, PEC 280, PRC9/11, entre outros - e do manejo dos bens públicos.
 Neste ponto, elevadíssima parcela dos manifestantes 
apresenta nomes claros para contraposição: Renan Calheiros (aliado do PT),
 José Sarney (aliado do PT), mensaleiros condenados, José Genoino (PT),
 Cunha (PT), entre outros.

Imagem representativa do "espírito de luta" de tais "juventudes",
ao lado de Sarney, Calheiros e outros. Imagem: Reprodução/Internet
Dilma Rousseff, outras autoridades e a grande mídia
 em geral desviaram tais temáticas, primeirofocando-se
 no tema das tarifas e, posteriormente,
 acusando ausência de foco ou concretude de propostas ou demandas.
 Em uma terceira etapa, elegeram arbitrariamente
 supostos clamores da população, elegendo também quem seriam
 os líderes ou legítimos representantes da população em protesto:
 seus subordinados, aliados ou órgãos de seus próprios partidos,
 oficial ou extra-oficialmente.

Espírito "combativo" de representantes da UBES. Imagem: disposto na figura.

Repare em como os líderes das "associações de estudantes"
 apresentam um aspecto crítico em relação ao governo, entre sorrisos e poses para fotos com Lula. Imagem: Reprodução/Internet
Lula discursa sobre bandeira da UNE.
Imagem: Reprodução/Internet
MST e PT: irmãos siameses. Imagem: Reprodução/Internet
Sobre tais reuniões, noticiou o Correio Braziliense uma das afirmações de Dilma:
 “Será um ciclo novo [de reuniões] 
que a gente está abrindo, além das que já fizemos, 
sempre nessa perspectiva da importância de ouvir a sociedade,
 as demandas, aquilo que as ruas manifestaram e
, a partir daí, tomar atitudes que o 
governo entender que são possíveis e que atendam às demandas sociais”.

Esta postura é não só demagógica, manipuladora e,
pode-se dizer, fraudulenta, como também revela a ditadura,
 ainda que implícita, exposta pelo bloqueio do diálogo
 e pela simulação de cooperação com demandas dos manifestantes.
 Sobre o perfil dos manifestantes, pode-se acompanhar pelas redes sociais,
 por pesquisas doData Folha (entre outros) e por enquetes do site Folha Política.

Dilma Rousseff, autoridades adjuntas e a grande mídia em geral 
ignoraram movimentos fortes, 
de enorme abrangência e tradição no combate à corrupção.
 Ainda que tenha predominado a horizontalidade, o papel,
 a representatividade e a relevância destes movimentos é inegável.

Juventude do PT e UJS, UBES, UNE: sempre unidos.
Imagem: Reprodução/Internet
Além de responsáveis por centenas de manifestações, 
protestos e eventos anteriores e já tradicionais,
 afora o fato de, juntos, alcançarem mais de 60 milhões de pessoas 
por semana nas rede sociais, detêm, juntos, mais de 5 milhões de participantes
 e seguidores, além de colaboradores informais, grupos de estudo sobre o tema, grupos de conscientização, cursos e discussão de projetos políticos.
 Tais grupos, não alinhados ao poder constituído,
 foram sistemática e descaradamente ignorados.
 Entre os principais, pode-se destacar: MCC (Movimento Contra Corrupção)
 JCC (Juventude Contra Corrupção), QFC (Quero o Fim da Corrupção),
 DDB (Dia do Basta), RFJ (Reforma Política Já!),
 GECCOR (Grupo de Estudos para o Combate à Corrupção),
 MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral),
 Nas Ruas, OCC (Organização de Combate à Corrupção),
 Revoltados On Line, MBCC (Movimento Brasil Contra Corrupção),
 Acorda Cidadão!, MBC (Movimento Brasil Consciente),
 Acorda Brasil, entre outros. Tais movimentos são, em geral, 
espontâneos, oriundos da sociedade civil, contínuos, 
apartidários e desprovidos de qualquer ligação com o governo, 
não recebendo quaisquer verbas oficiais (no que se distinguem dos movimentos convocados).
 Há ainda, a colaboração de mídias sociais,
como a página A Verdade Nua e Crua e páginas "Anonymous".

MST e PT: irmãos siameses. Imagem: Reprodução/Internet
Após as "reuniões" com os "representantes"
 - selecionando de modo torpe aliados e subordinados e simulando
 estar dialogando com o povo -. muitos desses falaram à mídia,
 declarando total apoio à proposta de plebiscito sugerida por Dilma Rousseff,
em tom amigável, ignorando as propostas da "voz" 
das ruas, além de, não raro, declararem apoio explícito,
 simularem gratidão e apresentarem tom de "admiração"
 (ou quase "devoção") à presidente. 
Adotaram as propostas das mesmas e chegaram a desviar a pauta para
 "passe livre estudantil" (?).

Com isto, enganaram boa parte da população,
 sobretudo a desinformada pela mídia
 e pelos pronunciamentos governamentais. 

Até o momento, não houve qualquer iniciativa no sentido de dialogar
 com movimentos legítimos, representativos e muito relevantes

 para o cenário político atual. Isto é temível, entre outras razões,
 pelo fato de que, quando não são ouvidos da forma tradicional, tendem,
 historicamente, a buscar modos alternativos.

Nesta semana, o Palácio do Planalto anunciou
 que, na sequência de diálogo com a sociedade, 
Dilma receberá grupos de índios.
 Não entrando no mérito de tais grupos, pois não é este o objetivo, os índios estavam nas manifestações promovidas? 
Os movimentos ignorados não só estavam, como também as organizaram, divulgaram e inspiraram.

Dilma reúne com "movimentos que participaram das manifestações".
Imagem:  Reprodução/Internet
Caio Martins.

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